quarta-feira, 4 de agosto de 2010

AO MESTRE

Este conjunto de versos foi criado para parabenizar o Professor em outubro de 2009. Fez parte do cartão que acompanhava a singela lembracinha.

A gradecer é admitir,
O teu verdadeiro valor!

M estre, tu és exemplo da tua lição;
E ngrandeces os caminhos da educação;
S abes ser reflexivo e agir com razão;
T eu trabalho faz a diferença.
R ecebas os cumprimentos sinceros
E m nome de toda equipe e da direção.

Um breve recado!

Nestes últimos dias, sem causa aparente eu me fiz uma pergunta: o que é conhecimento? Bem, conhecimento? Conhecimento é tudo o que se sabe. Será?
Para não errar, fui pesquisar e lá encontrei que conhecimento é a capacidade, adquirida por alguém, de interpretar e operar sobre um conjunto de Informações. Essa capacidade é criada a partir das relações que ele estabelece sobre o conjunto de Informações, e desse conjunto com outros conjuntos que já lhe são familiares (incluindo experiências, impressões, valores, crenças, etc.), que lhe permitem compreendê-lo e tirar conclusões sobre ele e a partir dele.
Nossa, acharam convincente, complicado, confuso, complexo?
Não sei, só sei que nada sei.
Mas há outro ponto importante a considerar: para dar tempero ao nosso conhecimento é preciso ter imaginação. Esta imaginação não nasce do nada. Ela explode, borbulha, aflora ou salta do nosso cérebro. É preciso dar vazão, é preciso carimbar seu bilhete, autorizando esta viagem imaginária. No estilo pegar carona nesta asa de cometa, neste balão mágico.
É meus queridos, a imaginação é mais importante que o conhecimento, como nos ensinou Albert Einstein, confirmando a pequena crônica, Os dois velhinhos, de Dalton Trevisan que diz assim:

Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.

Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.

Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:

— Um cachorro ergue a perninha no poste.

Mais tarde:

— Uma menina de vestido branco pulando corda.

Ou ainda:

— Agora é um enterro de luxo.

Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.

Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.

Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.

(Texto extraído do livro "Mistérios de Curitiba", Editora Record — Rio de Janeiro, 1979, pág. 110.)

Qual a moral da história? Não tem moral. Ela pode ser até imoral!

O papel do coordenador pedagógico na escola

O telefone toca. Atende-se. Já tem alguém na porta da sala do Setor de Orientação, abanando a mão aflita, pois precisa falar. É urgente! A OPE sentada na ponta da cadeira, pronta para levantar, mas não consegue encerrar a conversa por telefone. São muitos questionamentos do pai no outro lado da linha, que reclama dos óculos quebrados na sala de aula e que é um objeto caro, e precisa saber quem vai pagar o prejuízo. O professor sentado diante da mesa, meio que sem ação, afinal a OPE estava dando-lhe um feedback da aula observada. De repente, entra a professora de Português, com o aluno indisciplinado, fala asperamente com ela, e irritada com o comportamento do aluno que pela décima vez não traz o livro, e não faz as atividades da sala, pedindo providências da OPE, sugerindo, diante mão, que chamasse os pais do aluno e que fosse suspenso das aulas por três dias.

Atribuições: intencionalidade planejada

Situação inusitada? Não. Lembro-me da canção de Raul Seixas: “Pare o mundo que eu quero descer”. Esta é a rotina fiel do trabalho deste profissional que busca equilíbrio em suas ações diárias. As tarefas são muitas. Organizar uma sequência de atividades, priorizar situações, definir ações, lidar com limites. O trabalho da OPE deve ser pautado na intencionalidade planejada e passivo de alguns imprevistos. Não se pretende, aqui, listar as inúmeras atribuições deste profissional, pois se pretende utilizar a oportunidade para refletir os avanços e aspectos que podem ser melhorados na função.

Uma das atribuições mais importante e, ao mesmo tempo, crucial no trabalho da OPE pertence ao aspecto da gestão curricular. Gerar relação recíproca entre professores e cooperações interdisciplinares e promover possibilidades do corpo docente construir, de forma autônoma, outras propostas que vão além do currículo definido.
Entende-se por reciprocidade e cooperação o trabalho interdisciplinar. É mister garantir entre os componentes curriculares um trabalho que resulte na formação do aluno como um todo. Não somente garantir que o aluno seja formado em Matemática ou, que seja um bom historiador. Aqui valeria com profundidade um estudo sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas, em que Howard Gardner mostrou que todos os seres humanos possuem diferentes tipos de mente e que pais e professores podem tornar possível uma educação personalizada, destacando que na imensa diversidade que existe em cada um, deve se solidificar-se a certeza de que nenhum ser humano é perfeito em tudo, mas todos, absolutamente todos, possuem potencial de grandezas diversas, forças pessoais que devidamente reconhecidas coloca uma nova linha educacional a serviço integral do desenvolvimento humano e da extrema grandeza de singularidade de sua mente.

A base do trabalho do professor é o referencial curricular para planejamento de suas aulas. Este aspecto reflete o acompanhamento do processo ensino-aprendizagem. Observar a compreensão do professor, diante da proposta curricular da escola. Esta ação, bem estruturada, resulta no bom rendimento dos alunos no avanço do processo da aprendizagem.

Mediador da escola – atua para administrar diversos pontos de vista

O papel da OPE tem dupla atribuição. Possui duas frentes de atuação no cargo: pedagógico e educacional. O pedagógico garante o cumprimento do planejamento das aulas baseado na proposta curricular, suporte formativo dos professores, avaliações, projetos, feiras e mostras culturais, estudos do meio, planejamentos coletivos e individuais, recuperação paralela e coletiva entre outros. Já o educacional faz a ponte entre o professor, aluno e pais. Esta mediação deve ser feita e construída com base na confiabilidade, no respeito e na intenção de formar uma sólida parceria entre família e escola.
No tocante aos pais, cabe aqui ressaltar que, cabe na rotina da OPE, levantar as necessidades dos pais para estudos, palestras e esclarecimentos, auxiliando no processo integração escola – família e comunidade.

Sabe-se que o OPE juntamente com os professores e toda equipe escolar que constroem uma escola de qualidade. No entanto, há que se enaltecer o papel do OPE, definido como coordenador pedagógico. No cotidiano escolar, o coordenador pedagógico desempenha uma função que poderíamos afirmar que hoje é quase insubstituível. A sua importância no universo escolar dá-se pelo fato de ser ele o articulador, o mediador das relações pais/professores/alunos/direção evitando o desgaste que possa vir a acontecer entre esses pólos que fazem parte da escola. Esse trabalho é por si só complexo e essencial, uma vez que busca compreender a realidade escolar e seus desafios, construir alternativas que se mostrem adequadas e satisfatórias para os participantes, propor um mínimo de consciência entre as ações pedagógicas, tornando-as solidárias e não isoladas ou em conflito uma com as outras. (GARRIDO, 2002).

Ao Mestre, com carinho!

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore areias desertas.

Cecília Meireles



Lendo estes versos de Cecília Meireles, comecei a pensar, segundo as literaturas convencionais, como deveria ser o perfil do professor ideal, o ofício do disseminador dos saberes? Este ou esta que revela tanto fascínio entre os alunos. Que é tão polemizado e que marca com forte vinco a existência do outro? Às vezes tão cultuado, outras, tão desprezado?
E assim caminha a humanidade! Com frases feitas: Com sem a Educação, o Brasil não anda? E quem sabe faz a hora, não espera acontecer? Ou ainda, pegando carona em Chico: Ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça, inútil dormir que a dor não passa, espere sentado, ou você se cansa, está provado, quem espera nunca alcança.
Mas e o professor? Este ou Esta sim, é forte sempre forte. Não perde a pose, não se deixa abater, não foge à luta! É o rótulo do desbravador, é a bandeira dos que lutam e não desanimam, é a verdadeira força do sertanejo que, segundo Euclides da Cunha, é antes de tudo um forte!
Veja, o mestre é o que inventa cenário, espalha pó de pirlimpimpim, tira de onde não tem, cria personagens, e de uma folha qualquer faz um castelo. Coloca o sonho no navio e sente as mãos molhadas. Este é o verdadeiro crédito que se dá em ser educador.
Parabéns Mestre! Parabéns pela missão, parabéns pelo ofício e a força que brota em teu ser.
Eleni

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Parabéns a você!

Beto,
Para celebrar em grande estilo seu aniversário, vamos começar revelando as coincidências na análise dos números cabalísticos. Há quem acredita e bota a maior fé. Eu prefiro chamar de acaso ou, maiormente, de permissão divina. Veja:
O dia é 28 de julho – o 28 é 2+ 8= 10
O ano de nascimento é 55 = 5 + 5 = 10
Estamos no ano de 2010 – também terminado em 10
Você está completando 55 anos bem vividos= 5 + 5 = 10
Então, vimos que o número 10, neste ano, está ancorando sua vida. Buscando confirmação no oráculo Google, vimos que o número 10, na análise de número cabalístico, pode ser traduzido por ascensão profissional, êxito nos negócios e realizações pessoais. Com fundamento ou não, estaremos sempre desejosos de que as bênçãos de Deus estejam presentes em sua e nossas vidas.
Mas não para por aí, não! No mundo do futebol, este número é concedido ao craque do time ou ídolo do futebol brasileiro. O que melhor representa a equipe. Possui status de craque que alavanca os resultados e sua presença, sabemos que é indispensável.
Na vida escolar, não podemos deixar de mencionar, mas o dez é o aluno máximo. É aquele que atende à expectativa do professor. Dá conta do recado. Compreende o assunto e o aplica em suas atividades diárias. No mesmo contexto, o professor nota 10, também são os que estão no ranking dos melhores. Ele é 10! Ela é professora nota 10! É assim que se usa para dizer que aquele ou aquela são perfeitos.
Considerando a mesma linha de raciocínio, nos faz lembrar Terezinha Carraher, em sua obra denominada de “Na Vida Dez, na Escola Zero”, onde nos mostra crianças muito pobres, exploradas pelo trabalho infantil, que saem muito bem nos trabalhos de rua. Negociam e lucram nas vendas de doces ou outras bugigangas nos faróis das principais avenidas. Esta prática, eu creio que acontece nacionalmente, especialmente, nas grandes cidades.
Mas o dia hoje é de comemoração. É de celebração da vida! Então vamos aproveitar o momento para em primeiro lugar parabenizá-lo pela passagem de seu aniversário. Afinal de contas, atualmente a vida começa depois dos cinqüenta ,e não mais aos quarenta, em respeito à faixa etária da maioria dos leitores, inclusive a que vos fala.
Bem, chega de blá,blá,blá e vamos à homenagem propriamente dita. Segue o acróstico que exprime certamente nosso sentimento.

Parabéns a você, pois
A data é bem conhecida
Renovamos nosso desejo
Agradecido pela vida.
Brincar, sorrir e comemorar
Estas são ações de ordem
Não desista de seus desejos
Seguindo as boas virtudes de um homem!

Belos são os anos vividos
Entre estas cinco décadas e meia
Traga sempre em sua existência
O frescor de vida em suas veias.

Muito Obrigada!

Eleni Gentil Amaral

domingo, 25 de julho de 2010

Uma referência corporativa – Vale à pena divulgar!

Esta semana vi e ouvi algo que me deixou muito feliz. Estas iniciativas, que vou revelar mais adiante e tem a ver com a foto acima, deveriam servir de referencial aos demais dirigentes que não vêem as pessoas como linha de montagem somente. Deve-se permear a valorização do capital humano.

A empresa DCDN, como todos sabem, é exemplo do cuidado e atenção com seus colaboradores. Ate porque os responsáveis que estão à frente dos negócios são sensíveis a estas causas. Que bom! A valorização dos recursos humanos nos faz lembrar o pensamento de Carl Carlzon, em seu livro “A Hora da Verdade”, sugerindo que “as nossas organizações sejam literalmente viradas de cabeça para baixo.

Precisamos aprender a dar as boas-vindas às mudanças em vez de lutar contra elas, assumir corajosamente os riscos em vez de eliminá-los, dar mais força à linha de frente em vez de desmotivá-la e visar ao mercado altamente mutável à nossa volta em vez de nos concentrarmos em manobras internas, burocráticas e complicadas." São premissas para o sucesso – aumentar comprometimento, motivar e atingir desempenho diferenciado.

Não basta somente ter melhores equipes, recrutar, selecionar e avaliar. Estar junto com seus colaboradores, sentir suas necessidades e se despir de posturas profissionais, é uma das ações que deve estar listada em qualquer plano de ação empresarial. Promover oportunidade para reforçar o relacionamento interpessoal.

Dito e feito. Dedicar um sábado inteirinho em prol da equipe de trabalho foi uma ação notável. A campanha promovida pela DCDN foi um verdadeiro glamour. No último sábado, dia 17 de julho, consolidou, certamente, os enlaces da grande equipe executiva – unindo as habilidades individuais à sinergia da equipe. Contratou-se uma empresa – foi lançada a 1ª Campanha com o slogan ”Energizando”. Verdadeiro sucesso com diversas provas de raciocínio lógico e resistências físicas ocorridas em Pindoretama, distância de 45 km da capital Fortaleza.

Qual a expectativa desta integração a curto, médio ou ao longo prazo? Enorme, se houver outras campanhas, outros momentos de interação. Para se obter uma equipe consolidada é preciso investir. O capital humano é intangível e, como tal, deve ser cuidado. Segundo, Elton Mayo, sociólogo australiano, “o trabalho é uma atividade tipicamente grupal, em que cada um reage como membro de uma equipe, e não como indivíduo isolado. Portanto, uma organização, por mais eficiente que seja, é incapaz de elevar a produtividade, se não identifica e atende as necessidades psicológicas de seus colaboradores. Sem isso não há cooperação e resta a opção de conflito”. (Trecho extraído da obra Gente não é Salame, de Marcelo Silva).

Eleni Gentil Amaral

terça-feira, 20 de julho de 2010

Recordar é viver

Desde que me lembro das reminiscências da infância, me vejo no cenário escolar. Aos 05 anos, antes mesmo de pensar em entrar na escola, lá estava eu riscando o chão com cacos de tijolos, desenhando o sol, uma casinha com chaminé, não se esquecendo da janelinha aberta.

Quando chegou o período escolar e, naquela época, os pais eram irredutíveis. Comprometiam-se com os estudos dos filhos. A formação das crianças soava como “meu filho tem que ser gente na vida. Não quero que ele sofra com eu sofri. Quero dar o bom e o melhor a eles”. Minha mãe fazia referência à sua falta de estudo. Era analfabeta. Para prover o nosso sustento foi lavadeira na casa de uma tia – única irmã da minha mãe que sempre esteve em melhores condições socioeconômicas.

A sorte estava lançada. Aos 07 anos entrei na escola. Pátio enorme. Crianças gritando e chorando. Corredores compridos e toque do sinal bem estridente para a entrada das aulas. De longe, via minha mãe se afastando... O grande portão se fechava e o bedel impiedosamente apertava com suas enormes mãos os cadeados com correntes grossas. Aí que dor! Sentia-me tão impotente frente àquela multidão. Não tinha escolha. A sala de aula, a professora, os colegas de classe e o desafio de aprender eram meus algozes.

Blusa e meias brancas, saia pregueada azul-marinho. Impecavelmente bem asseada. O tempo foi passando e a alegria de aprender circundou minha alma estudantil. Comecei a me ver no papel da professora. Lembranças da carinhosa dona Geni, da beleza artística da dona Eugênia e até da professora Maria Batalhone, dona de uma voz rouca e que nos corredores mais parecia um vulcão em erupção.

O fato é que aprendia bem minhas lições pela manhã. À tarde, sabia direitinho como fazer minhas tarefas. Arrumava bem um cenário aconchegante para receber o meu mais querido aluno: meu cachorro Negrinho. Arrastava o enorme cachorro pelas patas e o punha frente a uma folha de papel. Ele cheirava o papel e sabia que eu precisava de sua colaboração. Pacientemente, com o focinho sobre o papel, levantava a cabeça preguiçosamente, e me olhava com ar de que tudo entendia.

Recordar é viver. Hoje me lembro daquela época inocente com carinho. Saio no pátio da escola, que hoje estou como gestora e vejo meu cenário real. Vejo nossas crianças, tão humildes como foi minha infância. Incentivo-os a se motivar pelos estudos com alma. Digo a eles que eles serão vencedores e se tornarão homens e mulheres que gerenciarão o mundo.

Isto é tudo por hoje!

Ah! Um beijo carinhoso ao meu ínfimo reduto de leitores. Obrigada pelo sacrifício!

Eleni Gentil Amaral